Notícias


8 de agosto de 2025 Video

Médicos, profissionais de saúde e pesquisadores que ainda não têm vivência sobre como a inteligência artificial pode facilitar suas vidas precisam ouvir esta aula completa. Este foi o público da aula, ministrada na manhã do dia 2 de agosto de 2025, com um conteúdo importante para a nossa realidade digital. Esta foi a premissa do Curso de Inteligência Artificial para Médicos, Pesquisadores e Estudantes – Fundamentos e Aplicações em Saúde e Pesquisa, que teve conteúdo com temas como ética, segurança e aplicabilidade das ferramentas da inteligência artificial em saúde, uso prático da IA para otimizar revisão bibliográfica, resumos e artigos científicos com IA, entre outros.

A íntegra do curso pode ser vista aqui. A duração do vídeo é de 3h30min.

A comissão científica do curso de IA foi de José Milton de Castro Lima, Elodie Hyppolito, Guilherme Grossi L. Cançado, Débora Terrabuio, Leila Tojal e Maria Chiara Chindamo.

Ao longo da manhã, a programação abordou os seguintes temas:

  • Aula 1: Resumos e Artigos Científicos com IA: Produtividade sem Perder a Humanização (Dr. Juan Turnes, da Espanha)
  • Aula 2: Ética, Segurança e aplicabilidade das Ferramentas da inteligência artificial em saúde (Dr. Carlos Enéas)
  • Aula 3: Uso prático da IA para otimizar minha revisão bibliográfica (Dra. Nicole Felix)
  • Aula 4: Introdução ao Machine Learning para pesquisa em saúde (Dra. Keisyanne de Araujo Moura)
  • Aula 5: Uso de lA para realização de testes estatisticos e prompts em R e Python (António Brazil Viana Júnior, bioestatistico – UFC)
  • Aula 6: Demonstração de como fazer um projeto de pesquisa multicêntrico com ajuda da IA (Dra. Renata Peres, Dra. Elodie Hyppolito e Pedro
    Passos, pesquisador de IA/ FAMED-UFC)

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4 de agosto de 2025 Video

Temos aqui o conteúdo do módulo 4 do Curso de Aperfeiçoamento em Carcinoma Hepatocelular (CHC), “Terapia Sistêmica”, que já pode ser assistido on-demand pelos nossos sócios, possibilitando que o importante e enriquecedor conteúdo debatido ao longo do curso seja difundido para mais pessoas. A coordenação do curso foi do dr. Carlos Terra e da dra. Maria Chiara Chindamo.

O “Módulo 4 – Terapia Sistêmica” teve as seguintes aulas: “CHC avançado (BCLC C): terapias sistêmicas de 1ª linha (Leonardo Fonseca); “CHC avançado (BCLC C): terapias sistêmicas de 2ª e 3ª linha” (Viviane Mello) e “Desafios futuros da imunoterapia: neoadjuvância, adjuvância e transplante hepático” (Cassia Guedes), com moderação da discussão pelos drs. Angelo Mattos e Anelisa Coutinho

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Foi prorrogado o prazo final das inscrições para a prova de suficiência para atuação na área de Hepatologia. Os candidatos ganham mais uma semana para se inscreverem, sendo agora a nova data 8 de agosto. Os editais estão em links abaixo. Para fazer a inscrição, clique aqui.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), por delegação da Associação Médica Brasileira (AMB), com anuência da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), através da Comissão Julgadora do Exame do Certificado de Área de Atuação em Hepatologia, nos termos dos dispostos nas Portarias da Comissão Mista de Especialidade – CME nº 1/2016 e 1/2024, aprovadas pelas Resoluções do Conselho Federal de Medicina – CFM nº 2148/2016 e 2380/2024, Resoluções CNRM 02/2006 e 14/2019, Normativa de Regulamentação do Exame de Suficiência para Titulação de Especialista ou Certificação de Área de Atuação da AMB (2016) e seu adendo (Portaria AMB nº 002/2020), Resolução AMB 001/2021, e Orientação interna da AMB para formulação de edital para exame de suficiência visando a obtenção do Título de Especialista e Certificado de Área de Atuação de 2024, torna público que estarão abertas as inscrições para o EXAME NACIONAL PARA OBTENÇÃO DO CERTIFICADO DE ÁREA DE ATUAÇÃO EM HEPATOLOGIA, a partir da publicação deste edital, mediante as disposições a seguir indicadas.

Além da data da prova, que será aplicada no dia 31 de agosto de 2025, de 09h00 às 13h00, na modalidade on-line, por meio da Plataforma de Provas da eduCAT, o título será certificado em duas fases, uma com Prova Teórica Objetiva e Prova Teórico-Prática, e a outra com análise curricular. As inscrições já estão abertas e terminarão no dia 8 de agosto de 2025, às 18h, no endereço https://inscricoes-sbh.educat.net.br/login.

Edital Certificado de Área de Atuação em Hepatologia 2025

Errata 1 Edital Certificado de Área de Atuação em Hepatologia 2025

Errata 2 Edital Certificado de Área de Atuação em Hepatologia 2025

Errata 3 Edital Certificado de Área de Atuação em Hepatologia 2025

Inscrições: Clique aqui para fazer sua inscrição!

EXAME DE SUFICIÊNCIA PARA OBTENÇÃO DO CERTIFICADO DE ATUAÇÃO NA ÁREA DE HEPATOLOGIA 2025
Data da Prova: 31 de agosto de 2025 – Domingo
Horário: 9h às 13h
Mais informações: [email protected] ou Whatsapp (11) 99235-5763

 


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28 de julho de 2025 Video

A terceira aula do Curso de Aperfeiçoamento em Carcinoma Hepatocelular (CHC) já pode ser assistida on-demand pelos nossos sócios, possibilitando que o importante e enriquecedor conteúdo debatido ao longo do curso sejam difundidos para mais pessoas. A coordenação do curso foi do dr. Carlos Terra e da dra. Maria Chiara Chindamo.

O “Módulo 3 – Preparo dos pacientes para terapia sistêmica: com o que devo me preocupar?” teve aulas ministradas pelas hepatologistas Rosamar Rezende, Joyce Roma e Maria Lúcia Ferraz, com moderação de Ângelo Zambam Mattos e João Marcello Neto e os temas foram o preparo dos pacientes, o manejo de varizes esofageanas e hepatites crônicas B ou C, como conduzir o tratamento oncológico com a presença da doença hepática.

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21 de julho de 2025 Video

Já está disponível o módulo 2 do Curso de Aperfeiçoamento em Carcinoma Hepatocelular (CHC) para ser visto on-demand para nossos sócios, possibilitando que o importante e enriquecedor conteúdo debatido ao longo do curso sejam difundidos para mais pessoas. A coordenação do curso foi do dr. Carlos Terra e da dra. Maria Chiara Chindamo.

O Módulo 2 – Tratamento Cirúrgico e Terapias Locais teve como temas CHC precoce (BCLC 0/A), sobre quando indicar o tratamento loco-regional e como selecionar a melhor terapia; Ressecção e transplante hepático: indicações e limites de cada procedimento; e CHC intermediário (BCLC B): quais as opções atuais?. As aulas foram ministradas pelo radiologista intervencionista Raphael Braz, pelo hepatologista Lúcio Pacheco e pelo oncologista Alexandre Jacome. Rogério Alves, hepatologista, fez a moderação.

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15 de julho de 2025 Notícias

A Sociedade Brasileira de Hepatologia vem com muito pesar registrar sua enorme tristeza pelo falecimento de uma das mentes mais brilhantes que o mundo da Hepatologia pode conhecer. Entre diversas atividades acadêmicas, foi o responsável pela criação de um dos mais prestigiosos centros de pesquisa em hipertensão portal em todo o mundo. Seus estudos influenciaram decisivamente na compreensão da fisiopatologia da hipertensão portal, bem como sua abordagem diagnóstica e terapêutica. Falar sobre o currículo acadêmico de Jaume Bosch seria redundante e possivelmente irrelevante nesse momento de tamanha emoção. Porque, para os que puderam conhecer de perto sua sensibilidade pessoal, sua forma divertida e, sobretudo, sua imensa disponibilidade para os que dele se aproximavam, em muito superavam as importantes contribuições acadêmicas que nos deixou. Nunca o esqueceremos!

Carlos Terra
Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia



15 de julho de 2025 NotíciasVideo

O Curso de Atualização em Patologia Hepática traz os seguintes temas discutidos em seu módulo 3: Colangite Esclerosante Primária (CEP), Colangite Biliar Primária (CBP), Colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC) e Hepatite Autoimune (HAI), com aulas ministradas por Larissa Eloy (Unicamp-SP), José Telmo Valença Jr (UFC-CE) e Gabriela Coral (UFCSPA). Organizado e criado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), com coordenação da hepatologista Gabriela Coral, foi ministrado remotamente pela plataforma Zoom, no mês de março de 2025. Agora, você pode rever ou assistir às aulas on-line. Acompanhe!

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Módulo 1: Venâncio Avancini Alves (USP), Ryan Tanigawa (USP) e Carlos Tadeu Cerski (UFRGS) falaram sobre Histologia, Lesões Hepáticas e Doenças Vasculares

Módulo 2: Paula Vidigal, da UFMG, Evandro Sobroza de Mello (USP e Cicap) e Luiz Freitas, da UFBA, falaram sobre MASLD, MASH e hepatite alcoólica, DILI (lesão hepática induzida por drogas)

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14 de julho de 2025 Video

O Curso de Aperfeiçoamento em Carcinoma Hepatocelular (CHC) foi um sucesso: dividido em 7 módulos, teve exibição ao vivo ao longo dos meses de novembro e dezembro de 2024 e agora chega no formato on-demand para nossos sócios, possibilitando que o importante e enriquecedor conteúdo debatido ao longo do curso sejam difundidos para mais pessoas. A coordenação do curso foi do dr. Carlos Terra e da dra. Maria Chiara Chindamo.

O Módulo 1 – Aspectos Gerais do Carcinoma Hepatocelular, traz três aulas de meia hora cada com os seguintes especialistas e temas: Epidemiologia, screening e apresentação clínica do CHC (dra. Aline Chagas, hepatologista); Diagnóstico radiológico do CHC: entendendo a classificação LIRADS (dr. Daniel Martins, radiologista); e Estadiamento do CHC: análise crítica das principais classificações (dr. Mario Reis Alvares-da-Silva, hepatologista). A moderação da discussão final é da dra. Leila Beltrão e da dra. Daniela Parente, radiologista.

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11 de julho de 2025 Artigos

O diagnóstico da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), condição inflamatória do espectro da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), representa um desafio clínico relevante, considerando sua evolução potencial para fibrose avançada, cirrose e carcinoma hepatocelular. 

A definição diagnóstica de MASH exige a detecção concomitante de esteatose hepática, inflamação lobular, degeneração hepatocelular (ballooning) e, frequentemente, algum grau de fibrose. Para isso, a combinação de critérios clínicos, laboratoriais e exames de imagem é fundamental na prática clínica.

A avaliação diagnóstica inicia-se, classicamente, com a confirmação da presença de esteatose hepática, que pode ser realizada por meio de diferentes técnicas de imagem. A ultrassonografia abdominal é amplamente utilizada como método inicial devido à sua disponibilidade, custo reduzido e boa acurácia para esteatose moderada a severa. 

No entanto, sua sensibilidade é limitada em casos de esteatose leve (inferior a 20%) e em indivíduos com obesidade significativa. Diante disso, métodos mais sensíveis, como a elastografia transitória, têm sido incorporados na rotina clínica. Através da medida do Controlled Attenuation Parameter (CAP), a elastografia permite quantificar a gordura hepática com acurácia superior, além de fornecer, de forma simultânea, estimativas de rigidez hepática, úteis na avaliação de fibrose.

Outra modalidade em expansão é a elastografia por Shear Wave, incorporada aos equipamentos de ultrassonografia de alta resolução. Essa técnica oferece avaliação quantitativa da rigidez hepática com melhor resolução espacial quando comparada à elastografia transitória. 

Além da confirmação da esteatose, o diagnóstico de MASH exige a identificação da presença de inflamação hepatocelular e lesão estrutural. Atualmente, a única metodologia capaz de identificar diretamente os critérios histológicos de inflamação lobular e ballooning hepatocelular é a biópsia hepática, que permanece como padrão ouro. Por meio da análise histopatológica, é possível determinar não apenas a presença de esteatose e inflamação, mas também quantificar o grau de fibrose, definindo o estadiamento da doença. Apesar de seu valor diagnóstico, a biópsia apresenta limitações significativas, como seu caráter invasivo, risco de complicações (ainda que baixos, incluindo sangramento e dor) e possibilidade de erro amostral, uma vez que lesões hepáticas podem ser distribuídas de forma heterogênea.

Diante das limitações da biópsia, métodos não invasivos para estratificação da fibrose têm sido amplamente desenvolvidos e validados. Os principais são os escores clínicos baseados em dados laboratoriais e demográficos, entre os quais se destacam o FIB-4, que utiliza idade, AST, ALT e contagem de plaquetas, e o NAFLD Fibrosis Score, que incorpora também IMC, glicemia, albumina e presença de diabetes. Esses modelos apresentam elevada capacidade para excluir fibrose avançada (alto valor preditivo negativo), mas são menos sensíveis na detecção de estágios intermediários de fibrose.

Em paralelo, biomarcadores séricos compostos, como o ELF™ (Enhanced Liver Fibrosis Test), que combina ácido hialurônico, peptídeo terminal do procolágeno tipo III (PIIINP) e inibidor tecidual de metaloproteinase-1 (TIMP-1), têm demonstrado alta acurácia na identificação de fibrose significativa e avançada, sendo progressivamente incorporados em práticas clínicas de centros de referência. Outros painéis, como o FibroMeter® e o Hepascore, também têm papel relevante nesse contexto.

As técnicas de elastografia desempenham papel central na avaliação não invasiva da fibrose. A elastografia transitória (FibroScan®), além de estimar o grau de esteatose via CAP, mensura a rigidez hepática, que se correlaciona diretamente com o grau de fibrose. Valores de rigidez superiores a 8,0 kPa geralmente sugerem fibrose significativa (≥F2), enquanto valores acima de 12-14 kPa são altamente sugestivos de fibrose avançada ou cirrose. A elastografia por Shear Wave apresenta desempenho semelhante, com a vantagem de ser incorporada a ultrassons convencionais, permitindo avaliação simultânea de outros achados abdominais. Entre os métodos de imagem, a elastografia por ressonância magnética (MRE) é considerada a técnica não invasiva de maior acurácia atualmente disponível para detecção e estadiamento de fibrose, com sensibilidade e especificidade superiores a 90%, inclusive em pacientes com obesidade severa.

Adicionalmente, a avaliação dos critérios metabólicos é indispensável no diagnóstico de MASH, uma vez que a nova definição exige a presença de, no mínimo, um fator de risco cardiometabólico. A investigação inclui a mensuração de glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico (HDL, LDL, triglicérides), pressão arterial, além de parâmetros antropométricos como IMC e circunferência abdominal. 

Em síntese, o diagnóstico da MASH é um processo que combina avaliação clínica criteriosa, aplicação de exames laboratoriais e utilização de métodos de imagem avançados. Embora a biópsia hepática permaneça como referência para a confirmação de inflamação e ballooning hepatocelular, os avanços nas técnicas não invasivas, especialmente na elastografia e nos biomarcadores séricos, têm permitido uma abordagem mais segura e eficiente na prática clínica. A definição de algoritmos diagnósticos integrados é essencial não apenas para a detecção precoce da MASH, mas também para estratificação de risco, monitoramento da progressão da doença e definição de elegibilidade para terapias emergentes.

Diante de uma prevalência global de 5,27%, com taxas particularmente elevadas na América Latina (7,11%) e no Brasil (30% a 35% da população adulta com MASLD, com risco significativo de progressão para MASH), torna-se imperativo que os profissionais de saúde estejam atentos aos critérios diagnósticos e utilizem de forma adequada os métodos disponíveis.

A incorporação de ferramentas não invasivas, como elastografia e biomarcadores séricos, associada à avaliação criteriosa dos fatores metabólicos, permite um diagnóstico mais preciso e seguro, reduzindo a dependência da biópsia hepática e possibilitando a intervenção precoce. Essa abordagem integrada é essencial para mitigar a progressão da doença e suas complicações, promovendo melhor qualidade de vida e reduzindo o impacto econômico e social associado à MASH.

Referência: Rinella ME et al. Hepatology. 2023;77:1797–1835

Você já conhece o MASH Map? Estamos mapeando locais que fazem elastografia no país

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2 de julho de 2025 Artigos

A esteatose hepática, anteriormente denominada Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (NAFLD), representa hoje a principal causa de doença hepática crônica no mundo. Esta condição, entendida como a manifestação hepática da síndrome metabólica, reflete diretamente o crescimento global da obesidade, do diabetes tipo 2 e de outras disfunções metabólicas.

Dentro desse espectro, o termo Esteato-hepatite Não Alcoólica (NASH) foi historicamente adotado para descrever a forma mais avançada da doença — caracterizada por inflamação hepática, lesão hepatocelular e risco elevado de progressão para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.

No entanto, avanços no entendimento da fisiopatologia da doença, somados à necessidade de uma abordagem mais precisa, inclusiva e livre de estigmas, motivaram uma ampla revisão dos critérios diagnósticos e da nomenclatura. Esse processo foi conduzido por um consenso internacional liderado pelas principais sociedades hepatológicas — AASLD, EASL e ALEH —, reunindo especialistas de 56 países, além de representantes de sociedades médicas, órgãos regulatórios e associações de pacientes.

O resultado desse consenso é a adoção da nova terminologia: MASH (Metabolic dysfunction–Associated Steatohepatitis), inserida no espectro de MASLD (Metabolic dysfunction–Associated Steatotic Liver Disease). Essa mudança reflete não apenas uma atualização semântica, mas um realinhamento conceitual, centrado nos mecanismos fisiopatológicos da doença.

Por que a mudança era necessária?

A nomenclatura anterior, baseada em termos como “não alcoólica” e “gordurosa”, apresentava limitações relevantes. Além de ser construída por exclusão — exigindo descartar o consumo significativo de álcool e outras causas de doença hepática —, ela não refletia adequadamente os determinantes biológicos da condição.

Mais do que uma imprecisão científica, esses termos carregavam um peso estigmatizante para os pacientes. Estudos demonstraram que a expressão “gordurosa” e a referência ao álcool, mesmo em contexto de negação, geravam desconforto e prejudicavam tanto a comunicação médico-paciente quanto a adesão aos cuidados.

Além disso, a definição excludente desconsiderava a sobreposição entre disfunções metabólicas e outras etiologias hepáticas, como o consumo moderado de álcool — uma realidade clínica frequentemente observada.

Diante desse cenário, o novo modelo propõe uma definição afirmativa, centrada na disfunção metabólica como eixo fundamental da doença hepática associada à esteatose.

Critérios Diagnósticos: uma abordagem centrada na fisiopatologia

No modelo atual, o diagnóstico de MASLD se estabelece pela presença de esteatose hepática, associada a pelo menos um dos seguintes critérios de risco cardiometabólico:

  • Obesidade (definida por IMC elevado ou aumento da circunferência abdominal);
  • Diabetes mellitus tipo 2 ou pré-diabetes;
  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Dislipidemia (triglicerídeos elevados ou colesterol HDL reduzido);
  • Outros marcadores de resistência insulínica.

A partir desse enquadramento, a evolução da esteatose para um quadro inflamatório, com lesão hepatocelular e risco de progressão para fibrose, define o diagnóstico de MASH. A manutenção do termo steatohepatitis é fundamental do ponto de vista científico, pois garante a continuidade dos critérios histológicos utilizados até então — presença de esteatose, inflamação lobular e degeneração hepatocelular (ballooning). Isso permite não apenas a preservação da comparabilidade com estudos e registros anteriores, como também assegura a consistência no desenvolvimento e validação de biomarcadores e terapias.

Implicações clínicas e científicas da nova nomenclatura

A adoção de MASLD e MASH traz benefícios diretos para a prática clínica e para a pesquisa. Sob o ponto de vista clínico, o modelo afirmativo permite maior alinhamento com as abordagens já adotadas em outras especialidades, como endocrinologia e cardiologia, onde a síndrome metabólica é um eixo central de cuidado.

Além de reduzir o estigma associado aos termos anteriores, a nova nomenclatura melhora a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes e facilita o rastreamento precoce dos indivíduos em risco, promovendo uma abordagem integrada e multidisciplinar.

No campo científico, essa atualização fortalece a estratificação de risco, aprimora os critérios de inclusão em ensaios clínicos e orienta o desenvolvimento de terapias mais direcionadas, alinhadas à fisiopatologia da doença.

Considerações finais

A transição de NAFLD para MASLD e de NASH para MASH representa muito mais que uma simples atualização de nomenclatura. Trata-se de uma mudança paradigmática que reflete o entendimento contemporâneo da doença hepática associada à esteatose — uma condição de natureza metabólica, sistêmica e com alto impacto na saúde pública global.

Ao adotar critérios diagnósticos afirmativos, centrados na disfunção metabólica, o novo modelo não apenas aprimora a acurácia clínica, mas também contribui para reduzir barreiras no cuidado, aumentar a efetividade das intervenções e estimular uma prática médica mais precisa, ética e centrada no paciente.

Referência: Rinella ME et al. Hepatology. 2023;77:1797–1835

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Dr. Carlos Terra
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