DR. JOÃO LUIZ PEREIRA (24/01/1948 – 01/04/2018)

A Sociedade Brasileira de Hepatologia, consternada pela grande perda, rende homenagens a seu sócio titular e ex-Secretário Adjunto.

 João Luiz  nasceu em Portugal, na freguesia de Castelãos, conselho de Macedo de Cavaleiros, situada na região de Trás-os-Montes. Sua família chegou ao Brasil em 1953. Graduou-se em medicina em 1971, na antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia, atualmente pertencente à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Iniciando ainda como acadêmico, trabalhou durante 43 anos no Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), antigo Hospital do IAPETC no Rio de Janeiro. Esteve nos primeiros tempos sob a chefia e inspiração do professor Fernando Guerra Alvariz, reconhecido como um dos pioneiros da hepatologia em nosso país, contemporâneo de Zilton Araújo Andrade no Mount Sinai Hospital de Nova Iorque, ambos discípulos de Hans Popper e Fenton Schaffner.

João Luiz completou seu mestrado em 1982, na PUC-RJ, e desde muito cedo distinguiu-se por sua atividade e produção científica nas diversas áreas da Gastroenterologia e Hepatologia.

Em 1991, por ocasião do Congresso Brasileiro de Foz de Iguaçu, participou ativamente da reunião de hepatologistas que decidiu formar o Grupo de Fígado do Rio de Janeiro, tendo desde o início integrado diversas diretorias e* exercido a presidência de julho de 1995 a julho de 1997. A partir de 1998, já como Secretário Adjunto na Diretoria da SBH, teve importante participação na organização do 15º Congresso Brasileiro de Hepatologia, realizado em 1999 no Rio de Janeiro.

Desde então, foi frequente sua participação científica, quando não administrativa, nos diversos congressos da SBH e da SBAD, interrompida prematuramente em 2014, com o surgimento de doença incurável.

Assumindo a chefia do Setor de Gastroenterologia e Hepatologia a partir de 1991, João Luiz desenvolveu e deixou como legado diversas linhas de trabalho no HGB,  centro de referência para o tratamento de hepatites virais, bem como para as cirroses e suas complicações. Seus continuadores, Gustavo Henrique Pereira, Emília Ahmed, Flávia Fernandes e Zulane Tavares Veiga, mantêm ativas essas linhas principais:  1 – Avaliação não invasiva da fibrose hepática em portadores de hepatite crônica C; 2 – Métodos alternativos para o diagnóstico da PBE; 3 – Prognóstico e tratamento da síndrome hépatorrenal;  4 – Métodos não invasivos na avaliação de pacientes com esquistossomose hepatoesplênica;  5 – História natural e fatores preditivos da ACLF;  6 – Tratamento da hepatite C em populações especiais: hipertensão porta e portadores de insuficiência renal crônica ou transplantados renais. Muitas dessas linhas têm sido desenvolvidas em conjunto com colegas da UFRJ, UERJ e FIOCRUZ.

Na sua prolongada atuação à frente do Serviço, João Luiz teve a colaboração de dedicada equipe de auxiliares, bastando mencionar Emília Ahmed, José Carlos Lino, Elizabeth Balbi, Flávia Fernandes, Zulane Veiga, Joyce Roma e Luciana Agoglia, entre os médicos do Setor, e Cláudia Echi e Cyrla Zaltman, entre os residentes. É de se ressaltar que o seu Serviço, entre os hospitais federais, foi dos mais procurados por muitos anos em concursos para Residência Médica. Atualmente conta com 12 médicos e 12 vagas de residência em gastroenterologia e hepatologia. Dentre os médicos, há 2 doutores (Flávia Fernandes – UERJ, 2014 e Gustavo Henrique Pereira – Universidade de Barcelona, 2017), 2 mestres (Flávia Fernandes – 2008 e Zulane Veiga – 2016) e 2 mestrandas (Fernanda Couto e Camila Alcântara). A contribuição** científica de seu Serviço pode ser avaliada a partir de expressivo número de trabalhos apresentados nos congressos das especialidades, tanto da SBH como da SBAD.

Gostaríamos de finalizar esta homenagem a João Luiz Pereira reproduzindo algumas palavras emitidas por seu filho e continuador, Gustavo Henrique, após o falecimento do pai:

“Creio que a generosidade ao ensinar e acolher, a disposição infatigável para o trabalho, sempre desempenhado com dedicação e competência, somados a uma capacidade de vislumbrar antes de nós o que seria importante na medicina e na vida, foram características marcantes de meu pai. Estas marcas sedimentaram o Serviço, deram um perfil a ele e são responsáveis por Bonsucesso ter se tornado o que é, e também por nós sermos os médicos que somos”.

Rio de Janeiro, 20 /04/2018

FERNANDO WENDHAUSEN PORTELLA
Presidente da SBH (1997-1999)

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